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A CANDEIA, O AZEITE E AS APLICAÇÕES EQUIVOCADAS

Por Marco Sousa


MATEUS 25:1-15

1 - O ESPOSO, A ESPOSA E AS DEZ MOÇAS

Existe uma séria confusão no meio evangélico quanto a esta e a outras parábolas da bíblia sagrada. Há quem pregue que as dez virgens eram dez noivas à espera de um único noivo. Não é isto que o texto diz. Esta interpretação, além de imoral é totalmente contrária ao que Cristo pregava. ELE TEM APENAS UMA NOIVA, ELE NÃO TEM DUAS OU DEZ NOIVAS. Era comum no casamento israelita de pessoas importantes algumas moças (as virgens) acompanharem a noiva na celebração do casamento que poderia durar vários dias. Note que Cristo chama o dono da casa de esposo, alguém que já está comprometido e portanto não vai tomar nenhuma das dez virgens para si.

A multidão que escutava a pregação de Jesus nada questionou, tendo em vista que entenderam o que Cristo quis dizer. A cena da parábola de Jesus era comum naquele tempo. A noiva não saía do seu lugar, o noivo vinha até ela. A noiva não sairá no meio da noite, à procura do noivo. Ele vai arrebatá-la onde ela estiver. Esta parábola diz respeito à Israel e ao estabelecimento do reino de Cristo na casa de Israel depois da tribulação.

As moças (as virgens) de Israel conduziam o esposo à presença da noiva (agora esposa) após a sua chegada e ficavam na casa durante a celebração da festa. Os bons serviçais do reino (as virgens prudentes) serão reconhecidos por Cristo e serão convidados de honra na festa do Cordeiro de Deus e participarão do reino milenar de Cristo como convidados especiais.

Cumprir-se-á a profecia cantada na ultima frase de um louvor maravilhoso que o Senhor revelou em um tempo em que os mordomos eram muito fiéis a Deus e abominavam a soberba eclesiástica: "E sobre o trono de Davi reinará Jesus, Jesus a luz do mundo!" - (O povo que andava em trevas viu uma grande luz).

2 - OS TIPOS DE AZEITE E A CANDEIA DO POVO DO SENHOR

Nos tempos bíblicos o azeite era usado como alimentocomo remédio para as feridas, na iluminação e até para fazer sabão (azeite inferior), dentre outras utilidades. O produto era confeccionado em uma prensa em até quatro etapas e em cada uma delas saia um tipo de azeite para fins específicos. Neste texto nos ateremos às duas primeiras etapas.

Ao ser utilizada a primeira pedra do processo, as olivas eram prensadas e saía o azeite puro - que era todo destinado ao templo do Senhor. Eram as primícias daquele trabalho. As primícias do trabalho do servo fiel pertencem ao seu Senhor.

Este azeite das primícias pode tipificar o Espírito Santo, como aquele óleo (azeite) precioso que descia sobre as vestes de Arão, pois Deus também nos enviou o Espírito Santo glorioso (as primícias da eternidade) para abençoar a vida dos homens.  Todavia o azeite que queima na candeia não é o tipo do Espírito Santo, neste caso o Espírito Santo é o tipo do fogo que acende a candeia e ilumina o crente, o azeite (neste caso específico) é o fruto do trabalho, do esforço do crente que dá lugar, que oferece o seu coração ao ao Espírito Santo, do mesmo modo que o sacerdote prepara o altar e Deus mete fogo nele. Vamos entender melhor  estas colocações no próximo parágrafo.

Com o peso da segunda pedra na prensa era extraído o azeite para a alimentação e para ser vendido no mercado. Este segundo azeite usado na culinária judaica era também usado para acender as candeias, o povo do Senhor podia comprar e vender livremente, mas aquele das primícias, que servia para unção sacerdotal e para o templo jamais poderia ser vendido.  É por isto que Jesus mencionou na parábola que as virgens prudentes mandaram as loucas comprar azeite para a candeia. Não era o azeite santo do templo, era o azeite do trabalho e do comércio que estava faltando na lampada das moças imprudentes. O pecado delas foi desvalorizar o chamado daquele que as convidou. As virgens prudentes deveriam ser chamadas de loucas se mandassem as companheiras de candeia vazia comprar algo, se aquilo fosse contra as regras do povo de Deus (lembre-se que as virgens prudentes, que representam os servos fiéis do Senhor não pregam teologia da prosperidade e muito menos a comercialização da benção de Deus).

Por que o fogo é o tipo do Espírito Santo neste caso específico e não o azeite da candeia? Por que o Espirito Santo não se consome ao deixar o crente iluminado, mas ELE glorifica a Deus e revela ao seu povo a eternidade de Deus. O Espírito Santo não pode ser comprado, ou vendido ou dividido, como aquele azeite descrito na parábola. Ele é a terceira pessoa da trindade. Ele se manifesta onde há ambiente propício criado pelo povo de Deus. O Espírito Santo se manifesta onde as pessoas estão com a candeia cheia e com os lombos cingidos. Onde há zelo pelo profético.

No versículo 14 do mesmo texto Jesus afirma que esta parábola anterior das dez virgens é semelhante à parábola dos talentos que foram negociados pelos seus servos e os resultados (os lucros - pois o objetivo era negociar) foram entregues ao Senhor na sua volta. Assim o nosso mestre Jesus nos ensina que a parábola das dez virgens possui relação direta com a parábola dos talentos:

"Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens" - Mateus 25:14

3 - PODEMOS USAR A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS AO MODO DO PENTECOSTALISMO CLÁSSICO OU DAS IGREJAS REFORMADAS?

O leitor certamente perguntará: Mesmo ciente daquilo que foi descrito nos parágrafos anteriores, eu poderia utilizar a parábola das dez virgens do mesmo modo que o pentecostalismo clássico passou a utilizá-la (a candeia representando o batismo com o Espírito Santo ou o próprio crente cheio do Espírito Santo e vigilante) ou poderia também usá-la ao modo das igrejas reformadas?

Pode sim. Pode usá-la segundo o seu alcance em oração. Ao direito individual do servo de Cristo de examinar a sua própria Bíblia Sagrada atribuímos o nome de "LIVRE EXAME DAS ESCRITURAS". A Bíblia sagrada é a perfeita e inerrante palavra de Deus e é o único livro em que uma profecia ou mensagem de Deus pode se cumprir duas vezes em momentos distintos da história (Exemplos: Oseias 11:1 x Mateus 2:15 - Jeremias 31-15 x Mateus 2:18). Nunca se esqueça de que a revelação não anula a letra inspirada, pois ambas vieram do Espírito Santo e tudo quanto ele produz é eterno e glorifica a Deus!

Para irmos um pouco mais adiante vejamos um vídeo no qual o arqueólogo e teólogo adventista Dr Rodrigo Silva explica o método de extração do azeite e a sua serventia ao homem e explica sua analogia com o Espírito Santo. Louvado seja o nome do Senhor pelo direito do crente ao livre exame das escrituras e porque a obra de Deus não está trancada em uma denominação!



Tome cuidado para não distorcer a palavra de Deus com malabarismos exegéticos para favorecer o seu próprio pensamento teológico. Nos últimos anos temos percebido que aqueles que pregam contra a teologia sistemática têm sido os primeiros mestres a cometerem o equívoco de favorecer pensamentos teológicos particulares, para defenderem o seu modo de vida (e até para difamar outras denominações) ou para afirmar que a sua denominação é mais santa que as outras. A vaidade do velho homem entra em cena junto com a soberba da vida, que por sinal é pecado.

Que o fogo da nossa candeia consuma a nossa vaidade, enquanto cingimos os nossos lombos para cear com o Senhor!

Glória ao Pai, Glória ao Filho e Glória ao Espírito Santo!